O Servidor Público e o MITO da Estabilidade

Desde o final de julho de 2015, não se fala em outro assunto no estado do Rio Grande do Sul: os servidores públicos estaduais tiveram seus salários parcelados, tendo recebido apenas R$ 2150,00. No mês seguinte, a parcela já caiu para R$ 600,00.

Situações iguais ou piores são vividas por servidores no estado do Rio de Janeiro e em diversos municípios pelo Brasil.

E ninguém sabe onde o fundo do poço está.

Estabilidade?

A situação, apesar de chocante para alguns, não é inédita.

No estado do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, Germano Rigotto e Antonio Britto já tinham feito isso antes.

Collor, durante sua “caça aos marajás”, colocou milhares de servidores públicos federais em disponibilidade. E esses são os casos que lembro de imediato; muitos outros devem ter acontecido…

Não entrarei no mérito da necessidade da adoção de tais medidas ou sobre serem justas ou não. Quero apenas lembrar que a estabilidade no serviço público não é um conceito absoluto.

O servidor público é realmente estável?

Claro que o servidor é protegido contra a despedida arbitrária, e isso é fundamental para o exercício adequado de alguns cargos… Ou alguém acha que um agente fiscal sem estabilidade iria autuar a empresa que financiou a campanha do governador? Que um delegado da PF iria prender um dos homens fortes do partido que está no poder?

A estabilidade, porém, às vezes coloca os servidores em uma zona de conforto perigosa. O servidor se acostuma a gastar quase a totalidade da sua renda, sem se preocupar com o futuro.

Como pode um agente fiscal, cargo muito bem remunerado, estar desesperado com o atraso do seu salário? Irritado, chateado, claro! Mas desesperado? Sem ter como honrar suas dívidas?

O correto seria que os servidores tivessem um colchão de segurança que garantisse o pagamento de, no mínimo, três meses de suas despesas.

Para os trabalhadores da iniciativa privada, se recomenda que o colchão de segurança cubra pelo menos seis meses de gastos.

Ah, e é bom lembrar que quem entrou no serviço público a partir de 2013 não tem mais aposentadoria integral… Então tem que poupar e investir!

Isso é tão difícil assim? Não, se o servidor tiver suas finanças sob controle, com os pés no chão, e se preocupar em levar uma vida plena, com tranquilidade e paz de espírito…

Se o servidor decidir viver para ostentar, porém, o tombo poderá ser grande. Principalmente na hora da aposentadoria.

Até a próxima!

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